quarta-feira, 30 de março de 2011

Nós Gostamos do Underground

Quando soube que estudaria no ensino superior, pensei que iria pra lá unicamente concordar, mas chegando lá me deparo com várias correntes diferentes de estudo. É, pra variar, eu remando contra a maré intelectual de novo.

A falta de liberdade que tanto atrapalha o jornalismo não era notada por mim antes de começar a fazer parte do lance. Nem os fatos você pode escrever como quer. Nem é porque é um produto, que deve agradar as pessoas. Todo ser humano sabe que, a princípio, jornalista não ta ali pra agradar quem que seja, mas sim unicamente para transmitir os fatos de forma mais clara possível. Mas isso não é feito, pois a descrição correta e real deles pode interferir em vários outros princípios que afetarão brutalmente a sociedade. Sim, essa sabe que os fatos têm que ser relatados, mas não está preparada pra “tapa na cara” que a descrição puramente real faria.

Dae quando se fala em criar uma legislação (que já existe) para a mídia, principalmente para os programas de TV, as pessoas vêem falar de “liberdade no jornalismo”. Ah, vão se fuder! É óbvio que não existe liberdade na TV. Existe uma grade de programação e de comerciais, essas que são definidas pelas empresas (ah, pensou que fosse por jornalistas, tolinho?) para passar em horários definidos. Em todo esse jogo quem menos ganha é o espectador, que não tem respeitado o seu direito a informação de qualidade (ao menos os jornalistas ganham os seus salários).

Então, como deu pra notar, é a maldita conveniência e as contas do fim do mês que fazem o jornalista a se submeter a esse sistema lixo chamada mídia. Sinceramente, isso só mudará quando o público reclamar e tomar consciência de que a mídia foi feita pra eles, afinal, são consumidores, o PROCOM (ou qualquer outro que não sei o nome) ta aí pra reclamarem e, quem sabe, melhorar a qualidade do serviço.

O que mais me irrita são as exigências banais e chulas do jornalismo de faculdade, aquele mesmo que busca ser conceitual a partir de coisas totalmente desinteressantes. Ah, vamos falar de algo que use alfaia ou zabumba, coma rapadura ou que fale “oxe”, porque isso é a cultura pernambucana. Será mesmo?


Claro que é, porém poderíamos sair dessa superficialidade se nos ligássemos num dos critérios de noticiabilidade, o de Empatia.


Vou sair na rua logo mais para falar dos vendedores de pipocas no centro do Recife. Será um desafio tirar nota alta com uma pauta tão underground como essa, considerando que o meu professor é hype o suficiente para me dar zero. Qualquer coisa improvisa um alfaia para tirar foto de emergência. Creio que isso me dará ao menos meio ponto a mais. Mas tenho certeza que as pessoas que vão ler gostarão muito do assunto abordado, ah vão. Nós gostamos do underground, na nossa cultura pura e mostrada como ela realmente é. Empatia, sempre! Sem alienações...

É isso, desejo que eu possa colaborar o quanto puder com a minha visão de jornalismo.

2 comentários:

  1. Vivi entrando na onde de falar "mal" do mundo/curso que vive, são todos assim...

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  2. POdes crer.. eu dou mó valor. Algo interessante é que nós 3 fazemos areas distintas.. mas quando pagamos cadeiras que remetem as leis e a sociedade... concordamos puramente um com o outro.
    E creio que se conversamos com pessoas (que não sejam hipocritas e alienadas) de outros cursos elas concordarão com a gente. A sociedade é o cancer... e nós somos José Alencar. Estamos lutando.. mas até que ponto aguentaremos?

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